segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O QUE É ALTERIDADE?



Alteridade


O que é alteridade? É ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem.
A nossa tendência é colonizar o outro, ou partir do princípio de que eu sei e ensino para ele. Ele não sabe. Eu sei melhor e sei mais do que ele. Toda a estrutura do ensino no Brasil, criticada pelo professor Paulo Freire, é fundada nessa concepção. O professor ensina e o aluno aprende. É evidente que nós sabemos algumas coisas e, aqueles que não foram à escola, sabem outras tantas, e graças a essa complementação vivemos em sociedade. Como disse um operário num curso de educação popular: "Sei que, como todo mundo, não sei muitas coisas".
Numa sociedade como a brasileira em que o apartheid é tão arraigado, predomina a concepção de que aqueles que fazem serviço braçal não sabem. No entanto, nós que fomos formados como anjos barrocos da Bahia e de Minas, que só têm cabeça e não têm corpo, não sabemos o que fazer das mãos. Passamos anos na escola, saímos com Ph.D., porém não sabemos cozinhar, costurar, trocar uma tomada ou um interruptor, identificar o defeito do automóvel... e nos consideramos eruditos. E o que é pior, não temos equilíbrio emocional para lidar com as relações de alteridade.
Daí por que, agora, substituíram o Q.I. para o Q.E., o Quociente Intelectual para o Quociente Emocional. Por quê? Porque as empresas estão constatando que há, entre seus altos funcionários, uns meninões infantilizados, que não conseguem lidar com o conflito, discutir com o colega de trabalho, receber uma advertência do chefe e, muito menos, fazer uma crítica ao chefe.
Bem, nem precisamos falar de empresa. Basta conferir na relação entre casais. Haja reações infantis... Quem dera fosse levada à prática a ideia de, pelo menos a cada três meses, um setor da empresa fazer uma avaliação, dentro da metodologia de crítica e autocrítica. E que ninguém ficasse isento dessa avaliação. Como Jesus um dia fez, ao reunir um grupo dos doze e perguntou: "O que o povo pensa de mim?" E depois acrescentou: "E o que vocês pensam de mim?"
Dentro desse quadro, o desafio que se coloca para nós é como transformar essas cinco instituições pilares da sociedade em que vivemos: família, escola, Estado (o espaço do poder público, da administração pública), Igreja (os espaços religiosos) e trabalho. Como torná-los comunidades de resgate da cidadania e de exercício da alteridade democrática? O desafio é transformar essas instituições naquilo que elas deveriam ser sempre: comunidades. E comunidades de alteridade. Aqui entra a perspectiva da generosidade. Só existe generosidade na medida em que percebo o outro como outro e a diferença do outro em relação a mim.
Então sou capaz de entrar em relação com ele pela única via possível porque, se tirar essa via, caio no colonialismo, vou querer ser como ele ou que ele seja como sou - a via do amor se quisermos usar uma expressão evangélica; a via do respeito, se quisermos usar uma expressão ética; a via do reconhecimento dos seus direitos, se quisermos usar uma expressão jurídica; a via do resgate do realce da sua dignidade como ser humano, se quisermos usar uma expressão moral.

Ou seja, isso supõe a via mais curta da comunicação humana, que é o diálogo e a capacidade de entender o outro a partir da sua experiência de vida e da sua interioridade. 

                  Frei Betto (Carlos Alberto Libânio Christo), (1945)


domingo, 21 de fevereiro de 2016

LANÇAMENTO DA OBRA DE 20 ANOS DO FONAPER




Esta é a mais nova obra dedicada à celebração dos 20 Anos de existência do FONAPER que tem como título: ENSINO RELIGIOSO NA EDUCAÇÃO BÁSICA: Fundamentos epistemológicos e curriculares.
Idealizada por seus organizadores e aprimorados por vários autores. Surge no contexto das discussões da Base Nacional Comum Curricular.  Segundo o professor Dr. Ítalo Modesto Dutra Diretoria de Currículos e Educação Integral do Ministério da Educação a quem coube a escrita do Prefácio, afirma que vem a ser uma importante contribuição para o entendimento da presença deste componente nas discussões e propostas educacionais.
Alinhados aos documentos e discussões organizados por este Fórum no decorrer dos seus vinte anos, muitos caminhos foram percorridos. Fundado em 1995, tornou-se um espaço de proposições, encaminhamentos e ações que vieram a consolidar uma concepção de Ensino Religioso no Brasil como componente curricular responsável por possibilitar o acesso aos saberes e conhecimentos produzidos pelas diferentes culturas, cosmovisões e tradições religiosas, sem proselitismo, no contexto da Educação básica.
Esta obra está dividida em: Além do Prefácio e Apresentação por seus organizadores, temos a Parte I: Vozes de associados, educadores e parceiros e a Introdução.
A parte II: Trata das Questões epistemológicas do Ensino Religioso, com IX Capítulos de diversos autores.

A parte III: aborda sobre os Conhecimentos religiosos no currículo do Ensino Religioso: diálogos possíveis e necessários, também com diversos autores. Esta parte está dividida em IX capítulos e mais uma pequena biografia sobre os autores e os anexos contendo uns de alguns documentos do FONAPER.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURIOSIDADES RELIGIOSAS




Você sabia que Oxum é sincretizada com Nossa Senhora?

Oxum, orixá feminina das religiões afro-brasileiras (umbanda e candomblé) é sincretizada com diversas Nossas Senhoras sendo homenageada principalmente em 8 de dezembro.
Na Bahia, ela é tida como Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora dos Prazeres.



No Sul do Brasil, é muitas vezes sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, enquanto no Centro-Oeste e Sudeste é associada ora à denominação de Nossa Senhora, ora com Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
No Brasil é tradição montar a árvore de Natal e enfeitar a casa no dia 8 de dezembro, dia de N.Sra. da Conceição.
Dezembro é mês especial para os devotos da umbanda e candomblé, pois além de ser o fechamento de mais um ano, comemora-se três orixás muito importantes.


No começo do mês, tem-se no dia 4 de dezembro  o “Dia de Iansã“, e no dia 8 de dezembro é o “Dia de Oxun“.
Na véspera de Ano Novo, no dia 31 de dezembro, a homenageada é Iemanjá, para trazer a todos um ano novo cheio de prosperidade, fartura e axé.
Iemanjá é também conhecida como a "Rainha do Mar" é um orixá africano, e faz parte da religião do candomblé e de outras religiões afro-brasileiras. É considerada a maior festa de Iemanjá. Milhares de pessoas se vestem de branco e vão à praia fazer as oferendas, como espelhos, jóias, comidas, perfumes e outras objetos.
Antigamente o Dia de Iemanjá era comemorado em conjunto com a Igreja Católica, porque dia 2 de fevereiro também é dia de Nossa Senhora da Conceição. Porém, nos anos 60, houve uma reação da Igreja, que começou a considerar a celebração um culto pagão, e atualmente a data conta com devotos do candomblé e da umbanda, em sua maioria.







quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR ORIENTAÇÕES

                         (Coordenação FONAPER - Gestão 2014-2016)



A elaboração de uma Base Nacional Comum Curricular (BCN) é uma necessidade expressa na Constituição Federal de 1988 (Art. 210), na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Art. 26), nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, na Conferência Nacional de Educação e no Plano Nacional de Educação (PNE). O PNE estabelece que uma proposta da BCN seja entregue ao Conselho Nacional de Educação até junho de 2016. Neste processo, conforme previsto na legislação vigente, o Ensino Religioso é parte integrante da proposta da BCN.
Reconhecendo que a presença do Ensino Religioso não confessional na Educação Básica ainda é questionada por alguns grupos da sociedade brasileira, a participação efetiva nos debates regionais, estaduais é determinante. Neste sentido, o FONAPER conclama os associados, professores, pesquisadores, estudantes e demais pessoas identificadas com a proposta do Ensino Religioso, a se organizarem para as discussões e contribuições nas diversas modalidades de participação, no Portal da Base (basenacionalcomum.mec.gov.br). O texto preliminar está disponível para consulta e contribuições, que poderão ocorrer em três modalidades: individual, organizações e escolas.
A mobilização se dará em todos os Municípios e Estados da Federação num processo democrático, cuja participação pode se dar nas escolas, nos comitês estaduais e regionais, bem como, diretamente no Portal. A representatividade do Ensino Religioso nesses espaços é crucial para assegurar e contribuir com a proposta apresentada no documento, a qual o FONAPER apoia na sua integralidade.
A presença do Ensino Religioso no processo de elaboração de uma proposta para a BNC, que orientará os currículos de todas as escolas do Brasil, é um marco histórico, reconhecimento do esforço e empenho do FONAPER, e por extensão os seus professores, pesquisadores e instituições, ao longo dos anos.
Venha! Participe e dê a sua contribuição para que possamos dar continuidade à  história do Ensino Religioso na educação brasileira.

SOLIDARIEDADE E COMPANHIA





“Solidários somos gente;
solitários, somos peças.
De mãos dadas, somos força;
desunidos, impotência.
Isolados somos ilha;
juntos somos continente.
Inconscientes, somos massa;
reflexivos, somos grupo.
Organizados, somos pessoas;
sem organização somos objeto de lucro.
Em equipe, ganhamos, libertamo-nos; individualmente, perdemos, continuamos presos. Participando, somos povo;
marginalizando-nos, somos rebanho.
Unidos, somos soma;
na massa somos número.
Dispersos, somos vozes no deserto; agrupados, fazemo-nos ouvir.
Amontoando palavras, perdemos tempo;
com ações concretas, construímos   sempre.


(Autor desconhecido: FONAPER, Caderno. 1-p. 6 /2000)


Paciência - Lenine