sábado, 8 de março de 2014


O papel da mulher na sociedade e na religião


2013 04 17 alvorada“Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28).
O dia 21 de março foi instituído pela ONU como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em memória daquele que ficou conhecido como o Massacre de Shaperville, ocorrido em 21/3/1960, na África do Sul. A arrogância humana, declarando superioridade baseada na etnia, ascendência, cultura ou gênero, custou, ao longo da história, o cerceamento de direitos inalienáveis de milhões de seres humanos. Dentre tantos grupos oprimidos, massacrados, vilipendiados e dizimados, vamos refletir não sobre uma questão étnica específica, mas sobre uma questão de discriminação social: o papel da mulher na sociedade e na religião.
Desde o neolítico, a organização humana está marcada por traços de dominação masculina, patriarcalismo e machismo. O homem tem, como eixo articulador de seu modo de viver e enxergar o mundo, a vontade de poder. Poder entendido como capacidade de dominação e imposição sobre todos os diferentes, desde sua relação com a natureza à relação com seus semelhantes mais fracos, em termos físicos, bélicos ou econômicos.
Um dos argumentos para justificar a dominação do homem sobre a mulher diz respeito à constituição física feminina. Muitos acreditam que o homem dispõe de maior força física que a mulher. Mas teria o homem realmente maior força ou melhor treinamento? Na maioria das organizações humanas que dá base para a sociedade moderna, o homem desenvolveu a função de prover alimentação e segurança ao grupo, enquanto as mulheres ficaram incumbidas do cuidado familiar. Neste sentido, os homens puderam enrijecer músculos, enquanto as mulheres desenvolveram outros aspectos da capacidade humana. Porém, em sociedades matriarcais existentes até os dias de hoje, onde essas funções são invertidas, é possível encontrar mulheres com grande força física, aptas para a caça e trabalhos relacionados à agricultura e à edificação de habitações. Em 1983, um estudo realizado por P. Schantz demonstrou que as qualidades inatas do músculo e seus mecanismos de controle motor são similares para homens e mulheres.
Outro argumento utilizado é o teológico, especialmente nas religiões monoteístas, como é o caso do cristianismo. Diversos textos bíblicos dão base para a submissão – no sentido de subserviência – feminina. Estes textos são utilizados, em sua maioria, sem o devido cuidado com o contexto cultural em que foram produzidos. Não é considerada, ainda, a grande contribuição feminina na Bíblia, abundante tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.
Com base nestes argumentos, historicamente a mulher desenvolveu papel secundário na maior parte das sociedades, tendo reconhecimento e direitos sonegados. No Ocidente, chegou-se a ensinar que as mulheres não possuíam alma. Até pouco tempo, as mulheres não tinham direito ao voto, ao exercício político ou a ocupar cargos de liderança na maioria das instituições seculares e religiosas.
Ocorre que a mulher sempre foi vista como um ser mágico, humano e animal, que se relaciona socialmente, mas amamenta, da à luz em meio ao sangue, como os outros mamíferos. Seu fluxo menstrual era temido e, em muitas culturas, como a judaica, existiam leis específicas para seu trato. A bem da verdade, o que não se compreende, se teme. O que se teme precisa ser contido. Seria o machismo a simples expressão masculina do medo sentido ante esse ser misterioso?
Certo é que todo fluxo contido à força cedo ou tarde acaba por irromper. Assim como nos movimentos raciais por igualdade, simbolizados por Luther King, Mandela, Du Bois, Malcom X, Rosa Parks e tantos outros, as mulheres ganharam as ruas, impuseram sua voz e lutaram por reconhecimento. Do sufrágio feminino aos movimentos mais radicais, passando pela teologia feminista de Rosemary Ruether, vimos mulheres do mundo todo lutando por direitos equânimes e uma convivência social livre dos padrões opressores baseados em normas de gênero.
A sociedade viu-se forçada a repensar determinadas posturas. Há muito que fazer, mas pode-se reconhecer que o avanço obtido nas últimas décadas é bastante expressivo.
Essa pressão chegou também à igreja cristã. Como em tantos assuntos, ao invés de ser cabeça – que conduz, dá exemplo, mostra o caminho – a igreja manteve-se em condição de cauda. Somente após diversas conquistas “seculares” das mulheres é que algumas denominações começaram a discutir o papel da mulher em suas frentes. Quando deveríamos ser o grupo que denuncia toda forma de opressão e violência, por séculos agimos como validadores de comportamentos e posturas execráveis. E até hoje muitas denominações impedem as mulheres de exercerem dons e habilidades dadas por Deus, empunhando como bandeiras os textos que falam do lugar da mulher na igreja (produzidos em uma sociedade de 2000 anos atrás). É possível encontrar até mesmo mulheres machistas, por mais estranho que soe a expressão. Mulheres que assimilaram o conceito de que Deus prefere os homens para os “grandes trabalhos”. Deus não muda, é verdade, mas o homem muda, constantemente. E, já dizia Calvino, Deus “se ajusta” à capacidade humana de compreensão, para que, mesmo que “por espelho”, entendamos o progresso da revelação.
Glorifico a Deus pela IPIB que, neste particular, dá lições de interpretação bíblica, percebendo, há algum tempo, que homens e mulheres possuem diferenças, sim, mas são ambos capazes de assumir papéis de importância e responsabilidade na direção da igreja, quer nos trabalhos espirituais ou administrativos.
Termino com a frase da ativista Alice Walker: “Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens”.
Deus no ajude a nos compreendermos como corpo; membros diferentes com funções igualmente importantes. Ninguém é dono ou senhor de outrem. Somos todos propriedade exclusiva dele.
O Evandro Rodrigues é membro da IPI de Vila Brasilândia, São Paulo, SP (Evandroalpha@hotmail.com)
Leia esta e outras matérias na Revista Alvorada
2013 04 17 alvorada capa

http://www.ipib.org/index.php/ministerios/comunicacao/revista-alvorada/693-o-papel-da-mulher-na-sociedade-e-na-religiao

Pesquisando na internet sobre o papel da mulher na religião encontrei este pequeno e excelente texto no endereço do site acima. Este servirá para nossa reflexão e trabalho com nossos alunos nas aulas de ER.


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