quinta-feira, 31 de maio de 2012

PESQUISA SOBRE O ENSINO RELIGIOSO - JOÃO PESSOA -PB / 2011




 Esta foi uma entrevista realizada por uma estagiária de jornalismo através de e-mails com a autora deste BLOG.

1-Qual o perfil do ensino religioso na Paraíba? Ele tem sido implantado nas escolas?

Sim, apesar de algumas dificuldades este componente curricular está implantado não só na Rede Estadual, mas na Municipal.
Pensar o ER atualmente é buscar um novo paradigma, uma nova identidade, que é uma questão retomada pelos diversos segmentos da sociedade a partir da visão antropológica, sociológica, histórica e, principalmente, do ponto de vista científico. Há duas décadas mais ou menos se acentua na escola o processo de rupturas com as concepções vigentes de educação, pela dimensão da crise cultural que se instaura em todos os aspectos da sociedade. Frente à crise e aos paradigmas que apontam possibilidades e geram incertezas, também o ER busca a sua redefinição como disciplina regular do conjunto curricular. A Constituição Federal de 1988 contemplou com o artigo 210, §1º com a seguinte redação: “O Ensino Religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental”.
A Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96 em sua nova redação, no Art. 33 (Lei 9.475/97), assegura o ER nas escolas públicas, distante de proselitismo, respeitando as diferenças. Neste caso, temos aí uma releitura do Ensino Religioso, numa visão de área de conhecimento voltada para o fenômeno religioso, valorizando dessa forma a diversidade cultural religiosa do Brasil. Garante que as escolas ofereçam aos alunos o acesso ao conhecimento religioso, deixando claro que as formas institucionalizadas de religião são competências das igrejas e crenças religiosas.
Ensino Religioso foi implantado no Estado da Paraíba no ano de 1994 e a partir de 1996 foi implantado em todas as escolas estaduais, de 5ª à 8ª séries (atualmente 6º ao 9º ano), envolvendo desde encontros com gestores regionais e escolares da educação até a capacitação de professores.
Na proposta norteadora do Estado da Paraíba, o ER está expresso dessa forma: 1- O Ensino Religioso é parte integrante da Educação, vista como pleno desenvolvimento da pessoa; 2- Os pais e os alunos têm direito à educação de acordo com os princípios éticos e sociais coerentes com a sua fé, inclusive no âmbito escolar; 3- O Ensino Religioso, como disciplina, dispõe de horário normal nos estabelecimentos públicos de 1º e 2º graus (Fundamental  e Ensino Médio); 4-Compete à Autoridade Religiosa declarar se o professor indicado pelas escolas da Rede Oficial é idôneo para exercer a função, e encaminhar tal declaração à Comissão de Ensino Religioso para o devido credenciamento. A Rede Estadual de Ensino da Paraíba, seguindo os preceitos da LDB, estabeleceu a criação da Comissão do Ensino Religioso (CEER) [1].

2-Nas escolas municipais de João Pessoa, há o ensino religioso?    Sim. O Ensino Religioso foi implantado na Rede Municipal de Ensino no ano de 2006 A implantação desse Componente Curricular para o Sistema de Ensino Municipal da cidade de João Pessoa – PB teve um grande significado para todas as escolas. Considerando ser o Ensino Religioso uma área de conhecimento e, por este motivo, não poderia ficar excluída dos Sistemas de Ensino. Além disso, a Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa (SEDEC) não poderia deixar de cumprir a Legislação Brasileira.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso (PCNER, 2002, p. 31), um dos objetivos principais do Ensino Religioso é: “Analisar o papel das tradições religiosas na estruturação e manutenção das diferentes culturas e manifestações socioculturais”.
Estes são fatores preponderantes que culminaram para a inserção deste componente curricular em sua Rede de Ensino, por se tratar, segundo as suas diretrizes, de mais um elemento facilitador para o respeito e o diálogo com as diferenças, contribuindo dessa forma significativamente na construção da cidadania
CARNIATO[2], em sua fala no I Colóquio Municipal de Educação (I COMED), enquanto ministrante do Seminário de Implantação do Ensino Religioso, se posicionou dizendo que “o novo modelo de ER procura iluminar com o conhecimento da transcendência, o processo da educação para cidadania, para o protagonismo na transformação do mundo, isso parece uma utopia, porém, é um sonho de todas as religiões”. Isto quer dizer um mundo para todos, onde ninguém se sinta na exclusão de qualquer natureza e o diálogo possa fluir.
É nesta perspectiva que a Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa vem trabalhando, com ações voltadas para eliminar as diversas formas de exclusão. O que representa um processo de valorização do ser e do ser com o outro. O apoio do Fórum Nacional Permanente de Ensino Religioso (FONAPER)  tem contribuído bastante para o fortalecimento deste Referencial Curricular. Com a sistematização de Licenciaturas nessa área de conhecimento, acreditamos que o docente de ER seja mais valorizado, pois aí está começando a encontrar a sua identidade à frente de um novo tempo, um novo amanhã. (Grifo nosso)
Quanto ao perfil do professor de ER, deve-se levar em consideração o seu compromisso com o aprimoramento de sua própria religiosidade. - Buscar, compreender e interpretar constantemente as manifestações religiosas do mundo contemporâneo; - Ter abertura e facilidade para o diálogo junto às outras experiências religiosas; - Saber da complexidade da questão religiosa, sendo sensível à pluralidade da mesma; - Ser consciente de que o ER a ser ministrado nas escolas públicas distingue-se da ação catequética de uma comunidade de fé, assumindo uma orientação inter-religiosa; - Respeitar os processos das tradições religiosas vivenciadas pelo alunado, criando as condições necessárias para o crescimento humano e espiritual dos mesmos. Enquanto ainda não temos o Curso de Graduação concluído é necessário ter cursos de Licenciaturas nas diversas áreas de ensino e/ou Filosofia, Sociologia e Ciências das Religiões.

3-Caso a resposta seja afirmativa, qual o conteúdo desta disciplina?
O currículo é formado pelos eixos temáticos que são: Culturas e Tradições Religiosas (estudo do fenômeno religioso), Textos Sagrados (estudos de textos diversos do Transcendente das diversas culturas religiosas), Teologias (estudo do fato religioso das tradições religiosas), Ritos (estudo das séries de práticas celebrativas), Ethos (estudo da moral e dos valores das culturas religiosas). Esses eixos temáticos que direcionam os conteúdos. Quanto à metodologia é necessário pensar a operacionalização do trabalho docente que leve a observação, a reflexão e a informação, através do diálogo.
 A avaliação, conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) se dão em três etapas: inicial, formativa e final. No Ensino Religioso acontece como algo significativo, articulado e contextualizado em permanente formação e transformação. Observa-se a sociabilidade, postura, compromisso, integração e participação, na expectativa da aprendizagem do educando e de sua transformação em relação às atitudes de reverência para com o transcendente do outro, de respeito à alteridade e ao direito do outro de ser diferente, o desenvolvimento da capacidade de tolerância assumindo sua identidade pessoal com segurança e liberdade. Na Rede Publica Municipal de Ensino de João Pessoa-PB, o educando é avaliado continuamente e qualitativamente, e também é instruído a se auto-avaliar em relação a este componente curricular
           A escolha dos Professores de ER deu-se através de uma seleção feita com análise de currículos, entrevistas e o preenchimento de uma ficha que, analisadas as respostas, aproximava e identificava o perfil do professor. Tanto os titulares quanto os prestadores de serviço participaram desta seleção no período de dezembro de 2005 a janeiro de 2006.
            Em fevereiro de 2006 por ocasião do I Colóquio Municipal de Educação (I COMED), aconteceu a Implantação do Ensino Religioso através de um Seminário de Sensibilização com uma carga horária de oito (08) horas.
            Em seguida houve um Curso de Capacitação com 120 horas/aula, com certificação oferecida pela SEDEC, ministrado pelo Professor Vanderlan Paulo de Oliveira Pereira[3], com embasamento teórico respaldado pelo FONAPER. Aconteceram ainda “relato e troca de experiências”, visitas a lugares como à Baía da Traição-PB (cultura indígena) e aos Templos Sagrados Hinduísta de Campina Grande-PB e Caruaru-PE, para conhecerem de perto essas culturas e mais oficinas diversas oferecidas pelas Editoras Paulinas em 2006/2007. Atualmente a formação continuada prossegue, com mais profundidade pelos professores da UFPB e acompanhamento da coordenação do ER.
 Ao final de 2006 fizemos a escolha do livro didático com a participação dos professores, respaldados pelo parecer técnico de uma professora da UFPB das Ciências das Religiões (Profª Drª Neide Miéle). Estamos elaborando um caderno pedagógico contendo as diretrizes, a legislação, conteúdos e sugestões de atividades para os docentes e escolas, bem como uma proposta de Plano de Curso para a Rede Municipal de Ensino de João Pessoa-PB.
Eis aí a trajetória do Ensino Religioso, que durante estes cinco séculos fez e faz parte da nossa História, bem como da História da Educação Brasileira. Saber viver sem ser reconhecido é uma arte (a autora). Isto é o que acontece com o ER. 

4-Há algum estudo relativo à quantidade de escolas que ofertam o ensino religioso aqui no município?
Inicialmente o Ensino Religioso foi implantado em todas as escolas de Ensino Fundamental II, com sessenta e cinco (65) escolas. Aos poucos as escolas foram implantando no Fundamental I. Atualmente este Componente Curricular está implantado em 95 escolas, desde a educação infantil ao 9º Ano, incluindo a Educação de Jovens e Adultos.
Quanto à Rede Estadual, não temos o quantitativo de escolas que atuam com Ensino Religioso no Município de João Pessoa-PB.

5-Existe algum Plano de Ensino Religioso do município?
Para a implantação deste componente curricular foi necessário construir um documento, ou seja, um projeto intitulado: Proposta de Implantação do Ensino Religioso na Rede Pública Municipal de Ensino de João Pessoa. (Grifo nosso)
Tem como Objetivo Geral: formalizar o Ensino Religioso na Rede Pública Municipal de Ensino de João Pessoa, valorizando o pluralismo e a diversidade cultural religiosa existente em nossa cidade, no Brasil e no Mundo.
Como Objetivos Específicos: 1-Constituir um quadro de docentes para ministrar o Ensino religioso; 2-Proporcionar um espaço de estudo e reflexão acerca do fenômeno religioso tomando como referência os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso (PCNER); 3-Contribuir no processo de ensino e aprendizagem, como um espaço de formação humana, ética e cultural; 4-Discutir formas metodológicas para encaminhamento das atividades nessa área de conhecimento, junto às escolas da Rede Pública Municipal.
Com ações voltadas para uma dinâmica de acompanhamento sistemático por parte da Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa, através da Capacitação de Professores (formação continuada), com a participação desta pesquisadora e outros educadores da SEDEC, em parceria com a Livraria e Editora Paulinas e a Universidade Federal da Paraíba na preparação dos docentes de acordo com a Legislação e os PCNER (Parâmetros Curriculares Nacional do Ensino Religioso), com a promoção de encontros mensais e visitas às escolas e aos pólos, com o intuito de dar mais apoio aos professores.
A participação em Seminários, Congressos, Conferências e Fóruns nesta área de conhecimento tem contribuído bastante na formação dos docentes. As oficinas pedagógicas e trocas de experiências, visitas a locais históricos e sagrados são recursos que somam junto à formação continuada para enriquecimento do processo educativo, com uma sistematização de acompanhamento, para dar apoio pedagógico necessário aos professores e avaliar continuamente junto aos docentes como estão desenvolvendo a prática desse componente curricular no cotidiano escolar.

Referências

  • FÓRUM NACIONAL PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO. Parâmetros curriculares nacionais do ensino religioso. 6. Ed. São Paulo: Editora Ave Maria 1997.

  • HOLMES, Maria José Torres. Projeto: Uma Proposta de Trabalho para Implantação do Ensino Religioso Na Rede Municipal de Ensino de João Pessoa. 2005.

·         ______, Ensino Religioso: problemas e desafios. 2010. f. 187. Dissertação (Mestrado em Ciências das Religiões) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2010


 João Pessoa,    outubro de 2011
.
Maria José Torres Holmes ( Coordenadora do Ensino Religioso)
Rede Municipal de Ensino de João Pessoa


[1]-Comissão Estadual do Ensino Religioso, com representantes das várias denominações religiosas: representantes das Igrejas cristãs fundadoras citadas na página 43 e atualmente a inclusão das Igrejas Luterana, Episcopal Anglicana e Metodista, representantes da Federação Espírita Paraibana, e Federação dos Cultos Africanos respeitando a diversidade cultural religiosa do povo brasileiro. A proposta é de inclusão de outras denominações. (SILVA, A. SILVA G, HOLMES, 2008, p.150).
[2] CARNIATO, Maria Inês. Especialista em Ensino Religioso e Mestra em Teologia. Redatora da Revista Diálogo. Autora da Coleção do Ensino Religioso do 1º ao 9º Ano.  Livro Didático que a Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa adotou para o trabalho dos docentes de ER.

[3] Teólogo, Professor do Seminário Católico, Historiador e Mestrando em História.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

ARTIGO: O Fenômeno Religioso


Maria José Torres Holmes[1]    Eduardo Paiva dos Santos[2]  

Introdução

Desde os primórdios da vida no mundo e tudo que há nele, é que os pesquisadores cientistas procuram investigar sobre o fenômeno religioso, para saber o porquê da sua existência, se há algo mais do que aquilo que já se conhece. No entanto as ciências humanas estão sempre pesquisando sobre os mais variados sistemas religiosos, porém a religião se mostra aos olhos dos cientistas com suas diferenças e estes mergulham em suas pesquisas, para compreendê-las melhor e aprofundar os seus conhecimentos sobre o fenômeno religioso e como cada sistema religioso se comporta diante de tal fenômeno. É comprovado pela história e outras ciências que não existe nenhum povo sem religião ou sem tradição religiosa.


A concepção de transcendente

As diversas religiões e tradições religiosas que foram se constituindo no decorrer da história fundamentam a sua concepção de Transcendente, o sentido da vida e da morte, a maneira de ser e de agir no mundo, através de seus escritos e também da oralidade. Por mais que recuemos no tempo, sempre encontraremos vestígios de culto religioso das mais variadas, qualquer que sejam as culturas humanas, sempre existirá alguma forma religiosa.

O Sagrado

Isso para o ser humano tem a sua relevância, enquanto pessoa, revestida de dignidade e direitos que lhe são inerentes, que tem se debruçado sobre a existência de um ser supremo, transcendental e que governa toda a vida, não deixa de ser um desafio, pois tudo que se relaciona com a Transcendência e ao Sagrado, requer um estudo mais profundo para se compreender esse fenômeno, não só no aspecto das várias tradições religiosas, mas também, como as ciências humanas abordam esse tema, partindo do princípio de que é através desse conhecimento que se tem uma melhor compreensão de nós mesmos, bem como do outro com todas as suas diferenças.

A Busca de Respostas

O fenômeno religioso em cada tradição religiosa tem uma resposta para a vida além-morte, ou seja: Ressurreição; Reencarnação; o Ancestral e o Nada. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso, elas são norteadoras do sentido da vida, exprimem os ritos de passagem, tendo a morte como última passagem

Objeto de Estudo do Ensino Religioso

Muitos cientistas estudiosos das religiões dedicaram boa parte de sua vida, na busca de descobrir algo que liga o ser humano ao sagrado. Diante dessa complexidade de conhecimento é que surgem os mais variados questionamentos e indagações sobre a compreensão das religiões. Como cada cultura absorve esse fenômeno religioso? Qual a sua manifestação religiosa, uma vez que é ela que registra profundamente, a forma de vida de um povo? Portanto, no processo educativo, é imprescindível tratar do Ensino Religioso sem falar das várias tradições religiosas, uma vez que cada cultura religiosa apresenta o fenômeno religioso, e cada uma dessas culturas religiosas tem o seu culto diferenciado ao transcendente, e como tal se apresenta o fenômeno religioso. É preciso para isso entender que cada tradição religiosa tem a sua função e, uma delas é educar o ser humano para a vida, conduzindo para viver uma vida plena a partir do encontro consigo mesmo, com o outro e com o sagrado. É onde o Ensino Religioso e a educação fundamentam a sua natureza.

Fundamentação Teórico-Metodológica da Pesquisa

RUEDELL (2007, p. 44). “O profundo do ser humano é a dimensão religiosa, com a qual sintonizamos quando algo nos toca incondicionalmente”.  Nessa afirmação ele quer dizer que a dimensão religiosa desse ser, pode ser vista pelos pesquisadores numa ótica diversa, no entanto uma coisa tem em comum que é o ser humano religioso.
OLIVEIRA et all (2007, p. 65): “A complexidade do fenômeno religioso com suas faces e variantes exigem do professor de Ensino religioso grande capacidade de superação de incontáveis agentes integrantes de sua formação em sua condição de pessoa imersa num contexto e num cotidiano civilizado”. Isto implica a necessidade de se construir uma pedagogia que favoreça tal perspectiva, porque o que objetivamos é fruto de uma experiência pessoal, na incansável busca de respostas para as questões existenciais

REFERÊNCIAS
OLIVEIRA Lilian Blanck de et all. Ensino Religioso: no Ensino Fundamental. São Paulo, SP: Cortez, 1ª Ed. 2007. Coleção docência em formação. Série Ensino Fundamental
RUEDELL, Pedro. Educação Religiosa: Fundamentação antropológico-cultural da religião segundo Paul Tillich. São Paulo, SP: Paulinas 2007.
SANCHEZ, Wagner Lopes. Pluralismo Religioso: as religiões no mundo atual.
São Paulo: Paulinas. 2005. Coleção Temas do Ensino Religioso.
STEEL, Edson. Ensino Religioso: Ensino Fundamental II. São Paulo-SP. Global Editora, 2009.



[1] *Profª. de Ensino Religioso (ER) do Estado da Paraíba. Especialista e Mestra em Ciências das Religiões UFPB. Coordenadora do ER e Assessora pedagógica da Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa-SEDEC / PMJP –E-mail: mjtholmes @yahoo.com.br

[2] Professor de Matemática e Mestre em Ciências das Religiões- UFPB

CONSTRUINDO A ÁRVORE DOS EIXOS TEMÁTICOS DO ENSINO RELIGIOSO



Caríssimos, neste momento  vamos construir no coletivo essa árvore! 
A turma será dividida em cinco grupos e cada subgrupo representará uma parte da árvore, ou seja: raiz, caule, folha, flores e frutos. Para isso temos que agir enquanto educadores do Ensino Religioso que estando sempre à procura de dinamizar as aulas precisamos nos fundamentar a esse respeito para que possamos alcançar os nossos objetivos e metas que é conquistar o espaço sagrado de sala de aula nos momentos das aulas do Ensino Religioso. Portanto, reflitam e respondam:

A RAIZ: é a parte responsável pela sustentação da planta ao solo, alimentando-a e nutrindo-a com seus sais minerais. Supondo que essa parte represente as Culturas e Tradições Religiosas, consideradas a sustentação e a continuidade de um povo no Planeta Terra, por isso vejam:
(a) Como o grupo se vê diante do preconceito religioso de uma cultura em relação à outra?
(b) Em suas escolas isso acontece. De que maneira você enfrentaria essa situação?

O CAULE: é a parte que sustenta a planta transportando a seiva retirada da raiz levando até as outras partes da planta. Esta pode ser comparada com os textos sagrados orais e escritos, sendo estes responsáveis pela transmissão da comunicação através do tempo-história, a verdade e a fé, de uma cultura religiosa, o mistério do Transcendente.
(a). Qual a diferença entre um texto sagrado oral e um texto sagrado escrito?
(b) Quais dos dois são mais importantes, os das culturas religiosas com texto oral ou os das culturas religiosas com escritos sagrados?

AS FOLHAS: As folhas são responsáveis pela fotossíntese, respiração e transpiração, funções primordiais de um ser vivo do reino vegetal. 
Essa parte da planta simboliza o eixo temático: Teologia, que representa o oxigênio das culturas religiosas que sistematiza as afirmações, os conhecimentos das religiões sobre o sagrado, sendo este o senhor absoluto das verdades de fé e crenças com suas doutrinas.
(a). Quais são as possíveis respostas para a vida além morte nas tradições religiosas?
(b). Você enquanto professor (a) de ensino Religioso, de que maneira você transmite isso para seus alunos? 

AS FLORES: Quando uma flor desabrocha significa que está pronta para reproduzir-se. Quando uma planta "dá flor", está em sua fase mais crítica, pois direciona toda a energia a esta atividade.
Assim são os Ritos religiosos na vida das pessoas que se recolhem ao se preparar para iniciar em determinada cultura religiosa e seus diversos ritos, onde acontecem os rituais com as práticas celebrativas, seus símbolos e espiritualidades.
(a). Qual a importância dos ritos nas tradições religiosas ou não têm nenhum significado?
(b). Como você vê essa questão em relação ao preconceito religioso, é possível um diálogo?

OS FRUTOS: É o ovário fecundado que se incumbe de proteger a maior riqueza de uma planta, a semente, guardando-a em seu interior, para dar origem a outro vegetal da mesma espécie.
Assim também o Eixo Ethos representa o próprio sentido do ser, é formado na percepção de valores de que nasce o dever como expressão da consciência como resposta do próprio “EU” pessoal. Ética e religião são temas centrais no processo de humanização das pessoas. Portanto não pode ficar de fora do processo educacional. É por isso que o Ensino religioso nas escolas se torna um espaço importante.
(a). Pensem numa ética educacional para os dias atuais, como trabalhar isso nas culturas religiosas?
(b) Com base nisso,  tentem elaborar os princípios de uma ética educacional para o Ensino Religioso.

Bom trabalho... Maria José Torres Holmes

Refletindo

A escola é o espaço aberto, amplo e muito rico para se trabalhar com as Culturas e Tradições Religiosas. Não só no aspecto de construção do conhecimento, mas, pela riqueza de sua diversidade, existente em seu interior. Faz parte de uma de suas tarefas o desenvolvimento  do ser humano nos aspectos: sensorial, intuitivo, afetivo, racional e religioso-antropológico, porém, não é função da escola mostrar a vivência desses valores, enquanto conduta religiosa de fé, mas possibilitar esse conhecimento através do componente curricular do Ensino religioso que não privilegia esta ou aquela religião, mas que propõe ao educando a possibilidade de conhecer o seu objeto de estudo que é o fenômeno religioso das várias culturas e tradições religiosas e suas manifestações. É uma questão de respeito às diferenças.
Essa oficina, possibilitou aos educadores, um estudo reflexivo à respeito dos eixos temáticos que conduzem os conteúdos desse componente curricular.

(EQUIPES RAIZES): Preconceito / Respeito; Imposição / Compreensão; Diversidade Religiosa / Diálogo Interreligioso; Intermediar com Naturalidade; Globalização / Pós Modernidade.  Esses são temas para serem debatidos em sala de aula.  Segundo os relatos das duas equipes que trabalharam as culturas religiosas afirmaram que: 
"Nos encontramos em meio a um grande desafio, uma vez que o etnocentrismo religioso suplanta os valores religiosos de outras culturas. É necessário um preparo sócio-antropológico por parte dos docentes para tratar em sala de aula essas questões, de maneira que não ignore os valores e as particularidades de cada tradição cultural, como também uma consciência pautada pela ética religiosa capaz de nos levar a enxergar cada cultura como igual". “O preconceito religioso existe dentro das escolas e se apresenta fortemente nas aulas do ER visto ser um espaço de construção e reflexão do conhecimento. É comum a imposição por parte dos adeptos de várias tradições religiosas, todavia cada professor de ER deve nesse momento, mediar o conhecimento da diversidade religiosa e cultural levando o aluno a perceber a necessidade de compreensão e diálogo interreligioso para convivência pacífica entre os alunos e entre as pessoas”.

 (EQUIPES CAULES)  “A tradição oral tem sua grande importância por ter o compromisso em passar de geração em geração todo o seu conhecimento cultural religioso. Portanto seus rituais são vivenciados e rememorados constantemente. Na tradição escrita todos os conhecimentos religiosos são registrados para contribuir para a reflexão e prática de sua religiosidade. Embora que dependendo das tradições feitas, podem correr o risco de interpretações do texto sagrado, assim como a tradição oral depende da influência de outras tradições religiosas podem trazer outros elementos agregadores para seus rituais. Ambas as tradições possui importância fundamental para a compreensão da prática, conhecimento, experiência, visão de mundo, de fé e religiosidade, de conhecimento cultural religioso e o fenômeno religioso presente em diversas culturas religiosas”.  “A diferença de um texto sagrado oral e de um texto sagrado escrito é pelo fato de que o texto oral passa o conhecimento cultural e religioso envolvendo os mitos, lendas, rituais a história de pais para filhos de geração em geração (ancestralidade). E o texto escrito é a forma fundamentada da crença religiosa onde esses registros sagrados tornam-se leis e estatutos para serem cumpridos. Todos os textos sagrados (orais e escritos) são relevantes, cada um com sua importância sagrada. “Ambos representam as cores do arco Iris, são lindos exuberantes, participantes e fundamentais na natureza”. Para o conhecimento dessas tradições por outros segmentos religiosos ou estudiosos na área a tradição escrita torna-se mais fácil o entendimento porque a palavra escrita comprova, fundamentaliza e consegue ultrapassar o tempo.”


(EQUIPES FOLHAS) VIDA E MORTE-  “O mundo transcendente do ser humano, o que há além da morte, tanto as tradições religiosas orais e escritas interpretam de várias formas o mundo além morte. Na tradição cristã se ensina a ideia de um céu como premiação por uma vida obediente a Deus. E uma ideia de inferno como punição por desobediência. Na tradição budista existe a ideia de vidas sucessivas assim como no espiritismo (Reencarnação) como forma de evolução espiritual. Ancestralidade para outras culturas e o nada, porque existem aqueles que acreditam que após a morte tudo se acaba. Na condição de professor acreditamos que devemos transmitir informações sobre essa temática de forma que contemple a visão das várias crenças, através do debate, diálogo, vídeos, pesquisas entre outros". 

(EQUIPES FLORES): A Tradição, e o conhecimento, a criatividade, e a interatividade para vencer preconceitos.   "Os  ritos são essenciais nas tradições religiosas. Tudo começa e termina com um ritual no percurso das celebrações. É uma forma de perpetuar o conhecimento, transmitir a comunicação entre as tradições, responder perguntas, interagir e celebrar a história e a memória. "A cultura religiosa por si só traz consigo preconceitos e obstáculos. E cabe a nós educadores utilizar da criatividade na metodologia para desmistificar essas barreiras do preconceito. 
É possível sim o diálogo! Se as pessoas tomarem consciência da importância do respeito e do diálogo religioso, essas barreiras do preconceito serão amenizadas".

(EQUIPE FRUTOS): Pensar uma ética educacional para trabalhar as culturas religiosas é "praticar o não proselitismo em sala de aula, saber respeitar as escolhas de cada um, demonstrando para os alunos o quanto é importante respeitar as religiões dos colegas". "O respeito a tudo e a todos que fazem parte desse mundo é fundamental . A diversidade cultural religiosa, diferença de raças, gênero limitações e deficiências, nos faz repensar que poderemos trabalhar em nossas aulas através da conscientização, da informação, do não preconceito junto às demais culturas diferentes das suas.

 Princípios para uma ética educacional para o Ensino Religioso:  
  •  O não proselitismo; 
  •  O diálogo interreligioso; 
  • Respeitar a tolerância e a laicidade do nosso País; 
  • Entender  o direito que todas as culturas religiosas tem, 
  • Respeitar as pessoas que dizem não professar nenhuma crença religiosa; 
  • Respeitar a individualidade de cada um; 
  • Cumprir o que preconiza o Artigo 33 da LDB;
  • Partcipar da formação continuada; e do planejamento da escola;
  • Seguir  os preceitos das diretrizes que regem o Ensino religioso;
  • Ter compromisso e responsabilidade não só com as escolas, mas com os alunos e toda comunidade escolar. 
  • Com bases nesses princípios as pessoas poderão ter um bom caráter; humildade, caridade e virtudes; afeto, amor, respeito e fé; prudência tolerância e atitudes responsáveis.

sábado, 12 de maio de 2012

FORMAÇÃO CONTINUADA: Ensino Religioso JP-PB



A formação continuada para os professores da Rede Municipal de Ensino de João Pessoa, vem acontecendo neste ano de 2012 com dois encontros mensais, no Auditório da Livraria Paulinas. Tendo seu início no mês de março e o encerramento em dezembro. Os temas debatidos são: 

  • O que é o Ensino Religioso?
  • Para que e por que o Ensino Religioso nas Escolas? 
  • O Ensino Religioso e a Legislação de Ensino; 
  • As leis que abordam o Ensino Religioso;
  • Os Eixos temáticos do Ensino Religioso
  • Retrospectivas  da história do Ensino Religioso;
  • As trilhas do Ensino religioso;
  • O objeto de estudo do Ensino religioso;
  • Como este componente curricular é visto na escola? Faz parte do Projeto Político Pedagógico das escolas?
  • O perfil dos professores; 
  • Os encaminhamentos do Ensino Religioso nas escolas públicas;
  •  O Ensino Religioso no imaginário da escola.
Metodologia: As atividades são apresentadas através de Dinâmicas; debates com interação integral da turma; oficinas; Leitura e interpretação de textos; vídeos; produções de textos; pesquisas; seminários, relatos de experiências, visitas à lugares sagrados, entre outros;

Templo Sagrado Hindu em Campina Grande -PB

Carga horária: 100 h aula com certificação, pela Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa-PB 

sábado, 5 de maio de 2012

OFICINAS DE DINÂMICAS

 
 DINÂMICA "O BONECO":
Dividir os participantes em seis subgrupos. Cada um ficará responsável por uma parte do boneco: cabeça, tronco, braços, mãos, pernas e pés. Cada grupo desenhará uma parte do corpo e terá duas perguntas para responder. As respostas devem ser registradas nos cartazes juntamente com o desenho. Para que os grupos tenham uma visão geral da dinâmica, é importante que se leiam todas as perguntas antes de iniciar o trabalho.
 

a) Cabeça: Qual a realidade ambiental que vemos? O que escutamos da sociedade sobre a preservação da biodiversidade?
b) Tronco: O que sentimos sobre a degradação ambiental? O que sentimos sobre o papel do estudante na preservação da biodiversidade?
c) Braços: Até onde podemos alcançar com nossa ação? Com quem (pessoas, entidades etc.) podemos andar de braços dados na preservação da biodiversidade?
d) Mãos: Quais os compromissos que podemos firmar enquanto grupo na preservação da biodiversidade? Quais as ferramentas que temos disponíveis na escola para divulgar nossas idéias?
e) Pernas: Que caminhos queremos tomar no desenvolvimento de ações de preservação da biodiversidade? Qual o suporte (pessoas, materiais, finanças etc.) que temos para desenvolver uma ação?
f) Pés: Que ações podemos realizar envolvendo nossa escola na preservação da biodiversidade? Que resultado desejamos com nossa ação?


Obs:
Essa oficina foi trabalhada em dois turnos. Manhã e Tarde, com os professores de Ensino Religioso da Rede Municipal de Ensino de João Pessoa-PB



DINAMIZANDO AS AULAS DE ENSINO RELIGIOSO



Caríssimos colegas de caminhada do Ensino Religioso:

Este Espaço foi criado para dinamizar nossas aulas de Ensino Religioso. São tantos os preconceitos, que precisamos refletir sobre nossas posturas em sala de aula diante deste componente curricular. Como a escola vê o Ensino Religioso? Por que e qual a importância do ER na escola? Como trabalhar com os educandos? Será que faz parte do Projeto Político Pedagógico da Escola? Diante destes questionamentos, é que precisamos partir para mudanças em nossas salas de aula. 
Quais procedimentos temos que seguir? 

Apenas três procedimentos, poderá mudar o nosso perfil. 
  • Em primeiro lugar vestir a camisa do ER.  
  • Segundo, hastear a nossa bandeira de trabalho.  
  • E terceiro dinamizar as aulas. 
  • De que maneira poderemos fazer?
1- Vestir a camisa do ER:   
  
Precisamos ser fiéis aos nossos compromissos, isto é: 
  • Estar aberto ao diálogo; 
  • Respeitar as diferenças;
  • Dar espaço para que os educandos dêem suas opiniões;
  • Assumir com responsabilidade de participar da Formação Continuada;
  • Trabalhar os conteúdos de acordo com o Art. 33 da Lei 9475/97;
  • Gostar do que faz. 
  • Ter um espírito de pesquisa, entre outros...
Freire afirma:   "Não há educação sem amor. O amor implica luta contra  o egoismo. [...]. Quem não ama não compreende o próximo, não o respeita". (Educação e Mudança. 1997, p. 29).

2-Hastear a bandeira de trabalho:   
 
É uma forma de chamar atenção para o cumprimento do compromisso e da responsabilidade que devemos ter enquanto professores de Ensino Religioso. Por isso precisamos defender essa bandeira de trabalho. De que maneira?
Participando dos movimentos e eventos em defesa de Ensino Religioso, tais como: 
  • Fóruns;
  • Congressos; 
  • Seminários; 
  • Mesa  redonda; 
  • Palestras; 
  • Oficinas, 
  • Capacitação docente;
  • Simpósios, entre outros. 
3-Dinamizar as aulas: 
 
O educador criativo, está sempre em buscas de mudanças, preocupando-se com as inovações, tornando suas aulas mais prazerosas. Abrindo espaço para o diálogo. Desenvolve em seus alunos a arte de pesquisar. Está sempre procurando algo diferente para tornar suas aulas agradáveis e dinâmicas.
Freire afirma que: "Ensinar exige alegria e esperança. [...]. Ensinar exige saber escutar. [...]. Ensinar exige disponibilizar para o diálogo. [...]. Ensinar exige querer bem aos educandos".
(Pedagogia da Autonomia. 2003, p. 72, 113, 135 e 141).